sexta-feira, 7 de junho de 2013

Reticencias

__ Por que você é assim tão reticente?
__ Você sabe as minhas condições. Não sei o que fazer. Antes de  tudo, preciso saber o que você quer de mim, para saber o que eu vou fazer.
__ Antes de entender o que fazer, você precisa saber o que quer. Eu sei o que quero: Você...

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Para Joe F.

Lembro quando ainda estávamos juntos, hora ou outra você segurava no meu rosto, olhava dentro dos meus olhos e dizia: __ Independente de qualquer coisa, jamais deixe de fazer o que você sentir vontade de fazer.
Embora eu não entendesse muito bem, sempre achei aquilo muito bonito. Minha cabeça imatura não conseguia processar a ideia de que você me amava e mesmo assim me deixava completamente livre para fazer as minhas escolhas. 
Hoje eu consigo entender que você queria estar comigo sim. Muito, até. Mas queria, acima de tudo, que aquilo fosse por vontade própria, naturalmente, sem obrigações...
Você me ensinou muito. Mas o aprendizado que eu mais preservo até hoje é o de ser sempre fiel a mim mesma, antes de ser fiel a qualquer outra pessoa.
Eu sempre fiz exatamente o que eu queria fazer e fico feliz em perceber isso.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Press Trip - Parte 1

Quando aquele telefone tocou, achei logo que era mais um revoltado com a Prefeitura da Cidade reclamando de rua esburacada. O chefe atendeu da mesa dele a quase que de imediato todos os repórteres da redação olharam vidrados para os seus computadores. Ninguém queria ser interrompido para fazer mais uma matéria boba sobre o Natal do shopping tal ou semelhantes.
Mas aquela conversa ao telefone estava longa demais e, obviamente, o meu instinto jornalístico já estava aguçado. De longe, consegui escutar algumas frases soltas.
__ Mas você acha que ela vai dar conta? Ela é nova no jornal... (Falava o chefe de redação)
De imediato imaginei que falavam de mim. Eu era a repórter mais nova da editoria. Era certo que ele estava desdenhando da minha capacidade em alguma matéria um pouco mais elaborada.
Enquanto ele tentava convencer a pessoa que estava do outro lado da linha de que a tal repórter não era apta à matéria, eu tentava de todas as formas escutar o que ele falava, sem que ele percebesse.
Até que o meu chefe desligou o telefone e falou: __ ôôôô.... 
Ele sempre fazia isso antes de chamar uma repórter pelo nome. Na verdade ele não lembrava o nome de ninguém, mas precisava de um tempo para tentar lembrar. Todas as repórteres eram obrigadas a olhar para ele, para que assim, ele pudesse olhar para a tal repórter e apontá-la. Falando o que queria. Quando ninguém olhava, ele falava: __ ôôôô, menina! Aí sim, todas nós tínhamos que olhar.
Mas naquele momento a minha curiosidade era maior do que o medo de pegar uma pauta furada. Eu sabia, pelo teor da conversa, que a tal matéria era na verdade um desafio. Um desafio que talvez o meu chefe achasse que eu não conseguiria conquistar. Então, olhei para ele. Evitando a demora para me chamar, caso fosse eu mesma. Eu estava curiosa, com muito medo e até um pouco triste, eu diria.
Ele foi rápido. Olhou para mim e com o dedo me chamou em sua mesa. Fui até ele. Trêmula. E mais ma vez ele foi direto:
__ As prefeituras de algumas cidades da Região Serrana do Estado enviaram um convite para o nosso jornal ir visitar fazendas e centros históricos do local. A ideia deles é que façamos uma matéria sobre o turismo da região, que é pouco conhecido. A repórter e o fotógrafos escolhidos irão passar quatro dias em um hotel, visitando esses pontos turísticos. O Evandro falou que é você quem vai. Você vai amanhã e volta na sexta-feira. Tudo bem para você?
Era eu. Era eu a repórter que eles discutiam se era apta para o pauta. Era essa viagem a tal matéria tão importante. Eu tinha que ir. Eu tinha que provar que era capaz. Mas lembrei que na sexta-feira teria a minha colação grau.  E eu já havia pedido para sair mais cedo na sexta.
__ Que horas devo estar chegando na cidade sexta-feira?
__ Acredito que umas 21 horas você já está aqui. Por quê? Algum problema?
__ É o dia da minha colação de grau. Eu tinha até pedido para sair mais cedo.
__ Não vai poder ir?
__Não.. ééé.. Quer dizer, vou! Eu dou um jeito. Chego aqui e vou correndo direto para a minha colação.
__ Tem certeza? Não vai te atrapalhar?
__ Não. Quer dizer, tenho! eu vou.
Eu sabia que eu tinha pouca chance de chegar na colação a tempo. Mas também sabia que poderiam estar me testando. Sem contar que achavam que eu não daria conta. Eu tenho que ir. Eu vou.



terça-feira, 16 de abril de 2013

Para F.D.P.

Cara, eu nunca fui do tipo implicante, que diz que não gosta de alguém antes mesmo de conhecer. Pelo contrário, sou do tipo "Acho todo mundo legal, até que em provem ao contrário". E é isso mesmo.
Dou para o outro a chance de me mostrar quem ele é. Sem preconceitos, sem pré-conceitos...
Observo  tudo, durante muito tempo. Dou valor a pequenas atitudes, boas ou ruins. Analiso, verifico a índole, o caráter... Mas sempre de cabeça aberta. Certa de que posso me surpreender, para melhor ou pior. Mas de cabeça aberta.
Porém, quando o vacilo acontece, quando o vaso se quebra... É que para mim, confiança sempre foi como um vaso precioso. Se quebrar, por mais que você passe a cola mais potente, vai ser para sempre um vaso quebrado. Marcado, rachado...
E eu  nem curto mais os melodramas não... To longe de gostar do papel de vítima. Até porque não existem decepções quando você não espera nada do outro. Não existem grandes surpresas quando a sua cabeça está aberta para o que vier, sem falsas ilusões.
Sério, fico de boa... de verdade. Só não me peça pra eu continuar tendo a mesma paciência. Só não tente me convencer de que você é uma pessoa melhor e que toda a observação que fiz da sua personalidade é equivocada.
Só não force uma relação que não existe, e nem nunca irá existir. Pessoas como você só servem para alimentar as teorias que crio sobre a diversidade do caráter humano.
Ok, até posso beber uma cerveja contigo vez em quando e escutar o seu papo barato. (Sou legal) Mas não insista em uma amizade que  nunca existiu. Quando você achou que existia, era apenas a minha velha camaradagem de dar uma oportunidade para as pessoas me provarem que ainda existe gente legal no mundo.

Mas não conseguiu e perdeu a sua única chance :)

Ps: Até o próximo chopp!

domingo, 7 de abril de 2013

Odeio gostar de você

Detesto a forma que fico nervosa toda vez que estou perto de você. Derrubando o café ou qualquer objeto que esteja na minha frente. Já perdi as contas de quantas panelas queimei por sua causa.  Odeio o fato de como você mexe comigo. Com a minha cabeça, com meus sentimentos, com meus instintos...
Eu, de verdade, detesto a forma que você consegue me deixar insegura. A forma como você consegue fazer com que me sinta uma adolescente boba, uma criança inocente. E imatura. E burra. Eu odeio pensar que eu possa não ter tanta importância na sua rotina, como você tem na minha. Odeio não conseguir dizer "não" para você. Odeio ser submissa. Ridícula. Apaixonada.
Me irrita  saber o quanto você me tem em suas mãos. O quanto me domina. Eu, que sempre me achei tão dona do meu destino, de repente me sinto totalmente entregue à você. Me choca o fato de eu não conseguir me livrar desse vício que é estar ao seu lado.
Eu odeio fazer tanto por você. Odeio querer tanto o seu bem. Não suporto a ideia de te querer tanto... Todos os dias. Para sempre. E detesto ainda mais saber de tudo isso e não conseguir te afastar de mim.
Odeio - com todas as minhas forças - gostar tanto de você.  

sábado, 6 de abril de 2013

__ Você acha que eu mudei?
__ Bastante.
__ Em que, por exemplo?
__ Não responde mais as minhas mensagens. Nem mesmo a dos seus amigos. Não sabemos mais os detalhes da sua vida, o que está acontecendo com ela... Mas podemos ver que está feliz.
__ Acha que estou feliz?
__ Sim.
__ Acha que estou distante?
__ Acho que está aproveitando o seu momento.
__ Tenho medo de ter perder.
__ Não tenha. Não vai.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Injeção de ânimo

De repente o universo conspira ao seu favor e você recebe uma injeção de ânimo! Ele diz: "Calma, as coisas são como devem ser. Não adianta forçar a barra, adiantar situações ou não enxergar o óbvio". 
Sabe aquela história de jogar ao vento as coisas que gostamos para ver o que realmente é para ser seu e o que nunca foi? É exatamente isso... O que é pra ser nosso, ninguém tira! O que não é pra ser, na verdade nunca foi. Por algum momento você só achou que era seu porque queria muito que fosse. 
E é fato que nem tudo que queremos é exatamente o que precisamos.
De início é difícil de entender mesmo, mas depois de uns tombos e uns arranhões as coisas ficam mais claras. 
Pessoas chegam e vão, portas se abrem e fecham... E nada é por acaso! Não é porque determinadas situações e relações não duraram para sempre, (se é que o para sempre existe mesmo) que elas não existiram. 
Na verdade, na minha opinião, as relações e situações mais intensas e reais não duram por muito tempo. Mas o suficiente para deixar algo bom, uma experiência incrível, que de uma forma ou de outra vai te fazer uma pessoa melhor.
Vai ver essa é a resposta para as relações e situações que gostamos tanto não durarem para sempre. 
A gente não entende, não concorda e não admite que elas acabem. Mas na verdade, elas só acabam para que possam deixar as boas lembranças eternamente na memória.
Sem rotina, desencanto e todas essas coisas que o "pra sempre" acaba trazendo... Apenas saudade, aprendizados e sensações boas de uma relação que não era para ser nossa, mas que nos ensinou muita coisa...

E no final, acredite, sempre dá certo!