terça-feira, 14 de abril de 2015

Quero

Eu quero sossego.
Confiança.
Zelo.
Filme na cama.
Carinho em público.
Falar que ama.
Quero verdade,
Lealdade,
Amizade
E sim, felicidade.
Quero mãos dadas.
Coração cheio.
Mente tranquila.
Doar-se por inteiro.
Quero abraço apertado.
Bom humor.
Bolo gelado. 
Paz de espírito.
Gentileza.
Desapego
Eu quero sossego. 

Bem feito

__ Bem feito. Quem procura acha.

A frase surge como eco hora a hora. Ao dormir. Ao acordar. Como um berro:

__Bem feito!!!


Dói demais o ato de doar-se ao nada. 

Dói demais remar contra a maré. 
Lutar sozinha em uma relação. 
Insistir sem fé.

É difícil. É triste. É confuso. 

E quando você descobre que o outro não é nada além de vento, ele te diz:

__ Bem feito.


Estranho ver-se transformando em algo que você não é.

De repente vejo apenas uma mulher insegura e descontrolada.
Cansada.
Abalada.

E ao perguntar o porque de tudo isso nada de desculpas, nada de perdão, nada de "deixe-me explicar".


Apenas:


__ Bem feito. Quem procura acha.


Eu achei.  


sexta-feira, 7 de junho de 2013

Reticencias

__ Por que você é assim tão reticente?
__ Eu preciso ter cautela.
__ Você precisa é saber o que quer.
__ E você, sabe o que quer?
__ Você.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Para Joe F.

Lembro quando ainda estávamos juntos, hora ou outra você segurava no meu rosto, olhava dentro dos meus olhos e dizia: __ Independente de qualquer coisa, jamais deixe de fazer o que você sente vontade de fazer.
Embora eu não entendesse muito bem, sempre achei aquilo muito bonito. Minha cabeça imatura não conseguia processar a ideia de que você me amava e mesmo assim me deixava completamente livre para fazer as minhas escolhas. 
Hoje eu consigo entender que você queria estar comigo, sim. Muito, até. Mas queria, acima de tudo, que aquilo fosse por vontade própria, naturalmente, sem obrigações...
Você me ensinou muito. Mas o aprendizado que eu mais preservo até hoje é o de ser sempre fiel a mim mesma, antes de ser fiel a qualquer outra pessoa.
Eu sempre fiz exatamente o que eu queria fazer e fico feliz em ter aprendido isso com você.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Press Trip - Parte 1

Quando aquele telefone tocou, achei logo que era mais um revoltado com a prefeitura da cidade reclamando de rua esburacada. O chefe atendeu da mesa dele e quase que de imediato todos os repórteres da redação olharam vidrados para os seus computadores. Ninguém queria ser interrompido para fazer mais uma matéria boba sobre o Natal do shopping tal ou semelhantes.
Mas aquela conversa ao telefone estava longa demais e, obviamente, o meu instinto jornalístico já estava aguçado. De longe, consegui escutar algumas frases soltas.
__ Mas você acha que ela vai dar conta? Ela é nova no jornal... (Falava o chefe de redação).
De imediato imaginei que falavam de mim. Eu era a repórter mais nova da editoria. Era certo que ele estava desdenhando da minha capacidade em alguma matéria um pouco mais elaborada.
Enquanto ele tentava convencer a pessoa que estava do outro lado da linha de que a tal repórter não era apta à matéria, eu tentava de todas as formas escutar o que ele falava, sem que ele percebesse.
O meu chefe desligou o telefone e soltou o famoso: __ ôôôô.... 
Ele sempre fazia isso antes de chamar uma repórter pelo nome. Na verdade ele não lembrava o nome de ninguém e precisava de um tempo para tentar lembrar. Todas as repórteres eram obrigadas a olhar para ele, para que assim, ele pudesse olhar para a pessoa que ele queria falar e apontá-la, falando o que queria dizer. Quando ninguém olhava, ele dizia: __ ôôôô, menina! Aí sim, todas nós tínhamos que olhar.
Mas naquele momento a minha curiosidade era maior do que o medo de pegar uma pauta furada. Eu sabia, pelo teor da conversa, que a tal matéria era na verdade um desafio. Um desafio que meu chefe achava que eu não conseguiria conquistar. Então olhei para ele. Evitando a demora para me chamar, caso fosse eu mesma. Eu estava curiosa, com muito medo e até um pouco triste, eu diria.
Ele foi rápido. Olhou para mim e com o dedo me chamou em sua mesa. Fui até ele. Trêmula. E mais ma vez ele foi direto:
__ As prefeituras de algumas cidades da Região Serrana do Estado enviaram um convite para o nosso jornal ir visitar fazendas e centros históricos do local. A ideia deles é que façamos uma matéria sobre o turismo da região, que é pouco conhecido. A repórter e o fotógrafo escolhidos irão passar quatro dias em um hotel, visitando esses pontos turísticos. O Evandro falou que é você quem vai. Você vai amanhã e volta na sexta-feira. Tudo bem para você?
Era eu. Era eu a repórter que eles discutiam se era apta para o pauta. Era essa viagem a tal matéria tão importante. Eu tinha que ir. Eu tinha que provar que era capaz. Mas lembrei que na sexta-feira teria a minha colação grau.  E eu já havia pedido para sair mais cedo na sexta.
__ Que horas devo estar chegando na cidade sexta-feira?
__ Acredito que umas 21 horas você já está aqui. Por quê? Algum problema?
__ É o dia da minha colação de grau. Eu tinha até pedido pra sair mais cedo.
__ Não vai poder ir?
__Não.. ééé.. Quer dizer, vou! Eu dou um jeito. Chego aqui e vou correndo direto para a minha colação.
__ Tem certeza? Não vai te atrapalhar?
__ Não. Quer dizer, tenho! eu vou.
Eu sabia que eu tinha pouca chance de chegar na colação a tempo. Mas também sabia que poderiam estar me testando. Sem contar que achavam que eu não daria conta. Eu tenho que ir. Eu vou.



domingo, 7 de abril de 2013

Odeio gostar de você

Detesto a forma que fico nervosa toda vez que estou perto de você. Derrubando o café ou qualquer objeto que esteja em minha frente. Já perdi as contas de quantas panelas queimei por sua causa.  Odeio o fato de como você mexe comigo. Com a minha cabeça, com meus sentimentos, com meus instintos...
Eu, de verdade, detesto a forma que você consegue me deixar insegura. A forma como você consegue fazer com que me sinta uma adolescente boba, uma criança inocente. E imatura. E burra. Eu odeio pensar que eu possa não ter tanta importância na sua rotina, como você tem na minha. Odeio não conseguir dizer "não" para você. Odeio ser submissa. Ridícula. Apaixonada.
Me irrita  saber o quanto você me tem em suas mãos. O quanto me domina. O quanto pode se aproveitar da minha dedicação por interesse, por prazer. Eu, que sempre me achei tão dona do meu destino, de repente me sinto totalmente entregue à você. Me choca o fato de eu não conseguir me livrar desse vício que é estar ao seu lado.
Eu odeio fazer tanto por você. Odeio querer tanto o seu bem. Não suporto a ideia de te querer tanto... Todos os dias. Para sempre. E detesto ainda mais saber de tudo isso e não conseguir te afastar de mim.
Odeio - com todas as minhas forças - gostar tanto de você.  

sábado, 6 de abril de 2013

__ Você acha que eu mudei?
__ Bastante.
__ Em que, por exemplo?
__ Não responde mais as minhas mensagens. Nem mesmo a dos seus amigos. Não sabemos mais os detalhes da sua vida, o que está acontecendo com ela... Mas podemos ver que está feliz.
__ Acha que estou feliz?
__ Sim.
__ Acha que estou distante?
__ Acho que está aproveitando o seu momento.
__ Tenho medo de ter perder.
__ Não tenha. Não vai.